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ASPECTOS ESSENCIAIS DO SER CRISTÃO

terça-feira, 13 de novembro de 2012 Diego Tales

É bem conhecido o texto de Mt 16,13-24, que apresenta alguns dos aspectos essenciais da nossa fé cristã, aspectos que jamais poderemos esquecer se quisermos ser realmente fiéis a Nosso Senhor. Vejamo-los um a um:

Primeiro. A pergunta de Jesus: “Quem dizem os homens que eu sou?”
Notem que as respostas são muitas: umas erradas, outras imprecisas, nenhuma satisfatória.
Estejamos atentos a este fato: somente a razão humana, entregue às suas próprias forças, jamais alcançará verdadeiramente o mistério de Cristo.
A verdade sobre o Senhor, sua realidade mais profunda, sua obra salvífica, o mistério de sua pessoa e de sua missão, sua absoluta necessidade para que o mundo encontre salvação, vida e paz somente podem ser compreendidos à luz da fé, isto é, daquela humilde atitude de abertura para o Senhor que nos vem ao encontro e nos fala.
O homem fechado em si mesmo, preso no estreito orgulho da sua razão, jamais poderá de verdade penetrar no mistério de Cristo e experimentar a doçura de sua salvação.

Quanto já se disse de Jesus; quanto se diz hoje ainda: já tentaram descrevê-lo como um simples sábio, como um homem bom e justo, como uma espécie de pacifista, como um pregador de uma moral humanista, como um revolucionário, o primeiro comunista, como um hippie, etc. Nós, cristãos, não devemos nos iludir nem nos deixar levar por tais visões do nosso Divino Salvador. Jesus é e será sempre aquilo que a Igreja sempre experimentou, testemunhou e ensinou sobre ele: o Filho eterno do Pai, Deus com o Pai e como o Pai, o Messias, o único Salvador da humanidade, através de quem e para quem tudo foi criado no céu e na terra. Qualquer afirmação sobre Jesus que seja menos que isso, não é cristã e deve ser rejeitada claramente pelos cristãos!

Segundo. Ante as opiniões do mundo, o Senhor dirige a pergunta a nós, seus discípulos: “E vós, quem dizeis que eu sou?” Em cada geração, todos nós e cada um de nós devemos responder quem é Jesus.
Não se trata de uma resposta somente teórica, teológica, digamos assim. Trata-se de uma resposta que deve ter sérias repercussões na nossa vida. Então: quem é Jesus para mim?
Que papel desempenha na minha vida? Como me relaciono com ele? Amo-o? Procuro-o na oração, procuro de todo o meu coração viver na sua palavra? Estou disposto a construir minha existência de acordo com a sua verdade?

Deixo-me julgar por ele ou eu mesmo, discretamente, procuro julgá-lo?
São perguntas muito atuais, sobretudo hoje, quando nossa sociedade ocidental vira as costas para o Cristo, julgando-o anacrônico e ultrapassado. Agora que a nossa cultura já não considera mais Jesus como aquele que é o Caminho, a Verdade e a Vida, mas julga que a própria razão humana, com seus humores e pretensões, é que é a Verdade e a Luz, é, mais que nunca, essencial que nós proclamemos com a vida, com a palavra e com os costumes que Jesus é realmente o nosso Senhor, o nosso critério, a nossa única Verdade!

Terceiro. Pedro respondeu quem é Jesus: “Tu és o Messias!”, isto é, “Tu és o Cristo, o Esperado de Israel, aquele que Deus prometera aos nossos Pais!”
Na mesma passagem, em São Mateus, Jesus afirma claramente: “Não foi carne nem sangue que te revelaram isto, mas o meu Pai que está nos céus” (Mt 16,15).Insisto: somente o Pai, na potência do Santo Espírito que habita em nós e na Igreja como um todo, é que pode revelar-nos quem é Jesus.

A fé não é uma experiência acadêmica, não é fruto de estudos, não se resume a uma especulação teológica. Para um cristão, crer é entrar na experiência que há dois mil anos a Igreja vem fazendo na Palavra, nos sacramentos, na vida de cada dia: a experiência do Cristo Senhor, que foi morto pelos nossos pecados e ressuscitou para nossa vida e justificação. Quem se coloca fora dessa fé, da fé da Igreja, já não é realmente cristão! Aqui é muito importante compreender que a nossa fé é pessoal, mas nunca individual: cremos na fé da Igreja, cremos no Cristo da Igreja, cremos como Igreja e com a Igreja. Uma outra fé, um outro Cristo seriam triste ilusão!

Quarto. O Evangelho nos surpreende com uma afirmação: “Jesus proibiu-lhes severamente de falar a alguém a seu respeito”. Por quê? Porque havia o perigo de pensar nele como um messias glorioso, um messias como os sonhos dos judeus haviam fabricado: o messias do sucesso, das curas, dos shows da fé, dos palanques políticos, etc. Jesus somente afirmará de modo público que é o Messias quando estiver preso, amarrado, diante do Sumo Sacerdote. Aí já não haverá ocasião para engano. Mas, aqui a pergunta: Também nós, muitas vezes, não temos a tentação de querer um Cristo do nosso modo, sob a nossa medida, para nosso consumo? Amamos o Cristo como ele é ou o renegamos quando não faz como gostaríamos? Estamos realmente dispostos a ir com ele até o fim, crendo nele e nele nos abandonando?

Quinto. Exatamente para deixar claro que tipo de Messias ele é, Jesus começa a dizer “que o Filho do Homem devia sofrer muito, ser rejeitado; devia ser morto e ressuscitar depois de três dias. Ele dizia isso abertamente”. Eis o tipo de Messias, o tipo de Salvador, o tipo de Deus que Jesus é! Será que nos interessa? Estamos nós dispostos a seguir um Mestre assim?

Sexto. Não será a nossa a mesma atitude de Pedro, que repreende Jesus, que desejaria um mestre mais racional, mais palatável, menos radical? Não é essa a maior tentação nossa: um Cristo sem cruz, um cristianismo sem renúncia, uma vida cristã que não nos custe nada?


Sétimo. A resposta de Jesus é clara, curta e dirigida perenemente a todos nós: “Se alguém me quer seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga. Pois quem quiser salvar a sua vida, vai perdê-la; mas quem quiser perder a sua vida por causa de mim e do Evangelho, vai salvá-la!” O caminho é este, sem máscara, sem acordos, sem jeitinhos! Nosso Senhor nunca nos enganou; sempre disse claramente quais as condições para segui-lo…

Dom Henrique Soares da Costa

O Evangelho segundo os evangélicos

segunda-feira, 5 de novembro de 2012 Diego Tales


INTRODUÇÃO
Ao ver o título deste texto posivelmente alguns poderíam pensar que se trata de algo ofensivo, mas não é assim. O objetivo desta instrução não é atacar nem ofender aos nossos irmãos evangélicos. Meu desejo é simplesmente mostrar a Verdade do Evangelho tal como é, num ambiente ecuménico, de amor ao irmão e de amor à Verdade.
Jesus Cristo disse: "A Verdade os fará livres." Jo 8,32 e é essa verdade a que queremos proclamar sem comentários, nem interpretações, nem agregados. Queremos proclamar o Evangelho completo do Nosso Salvador e Senhor Jesus Cristo.
Se você for evangélico compare todas as passagens que damos da tua mesma Bíblia , a Reina Valera (buscar el nombre de esa edición em portugués), que é a que usamos neste texto, y reza pra que Deus te ilumine y te guie até a verdade plena. Se você for católico, agradece a Deus e reza para que você viva como um auténtico cristão seguindo o Evangelho de Jesus Cristo. Neste texto, você entenderá como o que muitos irmãos separados proclamam em folhetos, rádio e televisão é, senão, o Evangelho segundo os "evangélicos". Na coluna da esquerda estão as frases comuns de muitos evangélicos e na direita o que realmente diz a Sagrada Escritura.
São as 12 verdades do Evangelho, que como auténticos cristãos, devemos conhecer.
Os "evangélicos" dizem:
1.- Já estou salvado e se morro vou pro céu, nao posso perder a salvação.
O Evangelho ensina:
1.- "Mas aquele que persevere até o final, esse se salvará" Mt 24,13
Os "evangélicos" dizem:
2.- Sou salvado somente pela fé, nem as obras nem a obediencia nos salvam.
O Evangelho ensina:
2.- "Não todos aqueles que me dizem: Senhor, Senhor, entrarão no Reino dos Céus: mas, sim aquele que fizer a vontade do meu Pai que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, mas nós não profetizamos em teu nome, e em teu nome lançamos demonios, e em teu nome fizemos muitos milagros?
E então lhes protestarei: "Nunca os conhecí; apártense de mim, servidores do mal." Mt 7,21-23
"E quando o Filho do homem venha em sua glória, e todos os santos anjos com Ele, então se sentará sobre o trono da sua glória. E serão reunidas frente a Ele todas as gentes: e os separará uns dos outros, como separa o pastor as ovelhas das cabras. E colocará as ovelhas a sua direita, e as cabras a sua esquerda. Então o Rei dirá aos que estão a sua direita: Venham, abençoados do meu Pai, entren no reino preparado para vocês desde a fundação do mundo. Porque tive fome, e me destes de comer, tive sede, e me destes de beber; fui hóspede, e me aconchegastes; estive sem abrigo e me cubristes; doente, e me visitastes; preso, e viesteis a mim." Mt 25,31-36
Os "evangélicos" dizem:
3.- Cristo não está presente na Eucaristía, isso é somente algo simbólico.
O Evangelho ensina:
3.- "Eu sou o pão vivo que desceu do céu: se alguém come deste pão, viverá para sempre; e o pão que lhes darei é minha carne, a qual darei pela vida do mundo." Então os judeus discutiam entre eles, dizendo: " Como pode este dar a sua carne para comer?" Jo 6,51-52
"E Jesus lhes disse: Na verdade, na verdade lhes digo: Se não comes a carne do Filho do homem, e não bebes seu sangue, não terás vida en vós. Aquele que come minha carne e bebe meu sangue, tem vida eterna: e eu o ressucitarei no último dia. Porque minha carne é verdadeira comida, e meu sangue é verdadeira bebida. Aquele que come minha carne e bebe meu sangue, permanece em mim, e eu nele." Jo 6,53-56
"E muitos dos seus discípulos escutando-o, disseram: Dura é está palavra: quem pode ouví-la?"   Jo 6,60
 "Desde isto, muitos dos seus discípulos voltaram para tras, e já não andavam com Ele".  Jo 6,66
 "Disse então Jesus aos doze: Querem voltar atrás também? E respondendo-lhe Simão Pedro: Senhor, a quem iremos? Vocé têm palabras de vida eterna." Jo 6,67-68
Os "evangélicos" dizem:
4.- Tenho que me confessar direto com Deus, não com homens pecadores.
O Evangelho ensina:
4.- "Então lhes disse Jesus outra vez: Paz a vós: como me enviou o Pai, assim também eu os envio. E como disse isso, soprou, e disse-lhes: Recebam o Espírito Santo: Aos que perdoais os pecados, ficam perdoados: e a quem lhes reterais, serão retidos." Jo 20,21-23
"Na verdade lhes digo que tudo o que vocês ligarem aqui na terra, será ligado no céu, e tudo o que desligarem na terra, será desligado no céu." Mt 18,18
Os "evangélicos" dizem:
5.- Não tenho que chamar de "Pai a ninguém", a Bíblia me proíbe.
O Evangelho ensina:
5.- "Então Ele, dando sua voz , disse: Pai Abraham, tem misericordia de mim, e envia a Lázaro que molhe a ponta do seu dedo em água, e refresque minha língua; porque sou atormentado nesta chama." Lc 16,24
"Conheces os mandamentos: Não mates, não cometas adultério, não cometas roubo, não des falso testemunho. Honra ao teu pai e a tua mãe." Lc 18,20
"Me levantarei, e irei ao meu pai e lhe direi: Pai, pequei contra o céu e contra ti." Lc 15,18
Os "evangélicos" dizem:
6.- Tudo está escrito na Bíblia,se não está, não vale.
O Evangelho ensina: 
6.- "E tem também outras muitas coisas que fez Jesus, que se fossem escritas cada uma delas, não caberiam no mundo tantos livros que se haveriam de escrever. Amén." Jo 21,25
"E lhes disse: Vão por todo o mundo; prediquem o Evangelho a toda criatura." Mc 16,15
 "E eles, saindo, predicaram em todas partes, obrando". Mc 16,20
Os "evangélicos" dizem:
7.- Não temos que batizar as crianças, elas não necessitam. Aliás, se deve fazer a imersão em um rio porque Jesus Cristo recebeu o Espírito Santo quando desceu na água.
O Evangelho ensina:
7.- " Respondeu Jesus: Na verdade, na verdade, te digo, que o que não nasce da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus. O que é nascido da carne, carne é; e o que é nacido do Espírito, espírito é." Jo 3,5-6
"E logo, saindo da água, viu abrirse os céus, e ao Espírito como pomba, que descía sobre Ele" Mc 1,10.
Os "evangélicos" dizem:
8.- Maria é uma mulher como as outras, não deve ser venerada pois a Bíblia não a menciona.
O Evangelho ensina:
8.- "E entrando o anjo onde estava, disse, ¡Ave, favorecidíssima! O Senhor esteja contigo: bendita tú es entre as mulheres ". Lc 1,28
"E aconteceu, que como escutou Elizabet o cumprimento de Maria, a criatura pulou em seu ventre; e Elizabet ficou cheia do Espírito Santo, E exclamou em alta voz, e disse: Bendita tú es entre as mulheres, e bendito o fruto do teu ventre". Lc 1,41-42
"Porque aqui, desde agora me dirão bem-aventurada todas as gerações". Lc 1,48
Os "evangélicos" dizem:
9.- Maria não pode fazer nada porque está morta igual aos santos, e aliás a Bíblia não diz que ela possa interceder por nós.
O Evangelho ensina:
9.- "Eu sou o Deus de Abraham, e o Deus de Isaac, e o Deus de Jacob? Deus não é Deus dos mortos, senão dos vivos." Mt 22,32
"E lhes apareceu Elías com Moisés, que conversavam com Jesus." Mc 9,4
"E faltando o vinho, a mãe de Jesus lhe disse: Vinho não tem. Y disse-lhe Jesus: Que tenho eu contigo, mulher? Ainda não ha chegado minha hora. Sua mãe disse aos que serviam: Façam tudo o que lhes diga... E como o mestre-sala gostou da água feita vinho". Jo 2,3-9
Os "evangélicos" dizem:
10.- Não se deve dizer as mesmas palabras ao rezar, como no terço. Repetir não é bíblico.
O Evangelho ensina:
10.- "E (Jesus) voltando a irse, orou, repitindo as mesmas palavras." Mc 14,39
Os "evangélicos" dizem:
11.- Todos os apóstolos foram iguais. Isso sobre o Papa é um invento que não está na Bíblia. Pedro foi igual que os onze.
O Evangelho ensina:
11.- "E lhe trouxe a Jesus. E olhando-o, Jesus, disse: Tú es Simão, filho de Jonás: tú serás chamado Cephas (que quer dizer, Pedra)". Jo 1,42
"Mas eu também te digo, que tú es Pedro, e sobre esta pedra edificarei minha igreja; e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. E a ti darei as chaves do reino dos ceús; e tudo o que ligares na terra será ligado nos ceús; e tudo o que desligares na terra será desligado nos ceús." Mt 16,18-19
"Disse também o Senhor: Simão, Simão, olha que Satanás pediu para crivaros como o trigo; mas eu roguei por ti para que tu fé não falte: e tú, uma vez de volta, confirma aos teus irmãos." Lc 22,31-32
"E veio e os encontrou durmindo; e disse a Pedro: Simão, dormes? Não velastes uma hora?"  Mc 14,37
"E quando comeram, Jesus disse a Simão Pedro: Simão, filho de Jonás, me amas mais que estes? Disse-lhe; Sim Senhor: tú  sabes que te amo. Disse-lhe: Apascenta meus corderos. Volta a dizer-lhe a segunda vez: Simão, filho de Jonás, me amas? Respondeu-lhe: Sim, Senhor: tú sabes que te amo. Disse-lhe: Apascenta minhas ovelhas. Disse-lhe a terceira vez: Simão, filho de Jonás, me amas? Entristeceu-se Pedro de que le dissesse por terceira vez: Me amas? y disse-lhe: Senhor, tú sabes todas as coisas; tú sabes que te amo. Disse-lhe Jesus: Apascenta minhas ovelhas." Jo 21,15-17
Os "evangélicos" dizem:
12.- A Igreja nao importa, somente Cristo salva. É a mesma coisa estar em qualquer uma. O único necesario é aceitar a Cristo, não a Igreja.
O Evangelho ensina:
12.- " Aquele que os escuta, a mim escuta; e aquele que os despreza, a mim despreza; e aquele que a mim despreza, despreza aquele que me enviou." Lc 10,16
"Aquele que recebe a vocês, a mim me recebe; e aquele que a mim recebe, recebe ao que me enviou." Mt 10,40
"Por tanto, se teu irmão peca contra ti, vai, e redarguie-lhe entre ti e ele só: se te escuta, ganhaste ao teu irmao. Mas se não te escuta, consegue-te dois mais, para que na boca de dois ou de treis testemunhos conste toda palavra. E se não escuta a estes, diga a Igreja: e se não escutar a Igreja, considera-o como ético e publicano." Mt 18,15-17
"Mas eu também te digo, que tú es Pedro, e sobre esta pedra edificarei minha igreja; e as portas do inferno não prevalecerão contra ela." Mt 16,18
Assim que, em frente irmão. É tempo de nos decidir a aceitar o Evangelho Completo de Jesus Cristo tal como está e não adaptá-lo segundo o gosto de cada um.
Jesus Cristo disse:
"Qualquer um, pois, que escutar estas palavras, e as pratica, o compararei a um homem prudente, que edificou sua casa sobre a Rocha"Mt 7,24
Se você é evangélico, esse é o convite por parte do Nosso Senhor. Se você é católico, esse é o convite por parte do Nosso Senhor. Vive-o para ser um auténtico cristão.
Da minha parte, como católico, em vez do credo dos grupos evangélicos, melhor prefiro o ensinamento do Evangelho. Mesmo que ao dizer isto aconteça como o Apóstolo Paulo disse:
"Me hei tornado enemigo de vocês por haver dito a verdade?" Gal 4,16
Que a Virgem Maria interceda por cada um de nós para que sejamos fiéis ao Evangelho do seu Filho Jesus Cristo e ser fiéis a Igreja que Ele fundou: a Católica.
Autor Martín Zavala, Misioneros de la Palabra www.defiendetufe.org y librería Misión 2000 www.defiendetufe.com

Os mortos não estão dormindo

quinta-feira, 1 de novembro de 2012 Diego Tales



No Antigo Testamento, antes da Vinda do Cristo, pensava-se que quem morria ficava no sheol (mansão dos mortos), à espera da Vinda do Senhor, quando se dariam a Ressurreição dos mortos e o Juízo Final. Até lá, o sheol era igual para todo mundo, bons e maus: era o reino da morte para todos! Os mortos ficavam numa situação de espera até à consumação final. Aos poucos, porém, foi nascendo a idéia de que, mesmo no sheol, havia diferença entre os bons e os maus; basta pensar na parábola do rico epulão e do pobre Lázaro: os dois estão no sheol (no seio de Abraão), mas um está feliz enquanto o outro pena (cf. Lc 16,19-26). Em resumo: segundo os textos mais antigos do Antigo Testamento, os mortos ficavam “dormindo” no sheol até a ressurreição final, quando o Messias viesse; nos textos mais recentes, os judeus já não pensavam que os mortos ficavam dormindo, mas num estado de espera, bom para os justos e tormentoso para os maus, até que o Messias viesse para o julgamento definitivo.

No Novo Testamento, com a chegada do Messias, tudo muda! Com Cristo, que é o Messias esperado, os mortos não mais ficarão esperando, pois chegaram os últimos tempos! Recordemos aquela passagem de Lucas 23,42s, do bom ladrão: “E falou: ‘Jesus, lembra-te de mim quando vieres como Rei’. E Jesus lhe respondeu: ‘Eu te asseguro: ainda hoje estarás comigo no paraíso’”. O ladrão, como os judeus da época de Jesus, esperava a Ressurreição no final dos tempos, quando o Senhor viria em glória: “Lembra-te de mim, quando vieres com teu Reino!” Mas, o Reino já chegou, com a Ressurreição de Jesus chegaram os tempos finais. Por isso mesmo, Jesus responde: “Hoje mesmo estarás comigo!” Agora que ele chegou, que venceu a morte, não há mais o que ficar esperando: com Cristo, os mortos não têm mais o que esperar: já chegou o dia do julgamento! O futuro esperado torna-se hoje, torna-se presente em Cristo: a salvação definitiva não é uma realidade meramente futura, mas surte efeitos imediatos para quem parte desta vida na comunhão com Cristo; o paraíso, estado final da bem-aventurança, é estar com Cristo, “já”, “agora”!. A morte de Cristo abre as portas do paraíso, de modo que a morte do cristão é entrada na Vida eterna. Por isso mesmo São Paulo afirma preferir ausentar-se desta vida terrena para ir estar com Cristo: “Estamos, repito, cheios de confiança, preferindo ausentar-nos do corpo para morar junto do Senhor” (2Cor 5,8). Aqui aparece claramente que o término da existência terrena leva imediatamente a habitar junto do Senhor. Não tem essa de ficar dormindo: morrer é ir estar imediatamente com o Senhor... por isso Paulo prefere morrer logo! Os que morrem antes da Vinda de Cristo na glória vivem já com o Senhor. O Apóstolo acrescenta, em outra carta: “Para mim viver é Cristo e a morte, lucro. Entretanto, se o viver na carne ainda me permitir um trabalho frutuoso, não sei o que escolher. Estou como que na alternativa. Pois de um lado desejo partir para estar com Cristo, o que é muito melhor” (Fl 1,21ss). Note-se que aqui o importante é que “o viver é Cristo”: a morte não é um lucro em si mesmo, mas somente se for um partir para estar logo com Cristo. Uma morte que fosse separação de Cristo ou que interrompesse a comunhão com ele, não seria “lucro” para Paulo. A morte somente é desejável porque permite a entrada na plenitude da comunhão com Cristo, que constitui o objetivo último da esperança cristã. Em mais sete textos paulinos a expressão “com Cristo” aparece com este significado. Por exemplo: “Se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, cremos também que Deus levará com Jesus os que nele morrerem. Depois nós, os vivos, que estamos ainda na terra, seremos arrebatados juntamente com eles para as nuvens, ao encontro do Senhor nos ares. Assim estaremos sempre com o Senhor” (1Ts 4,14.17); “Pois Deus não nos destina à ira mas à salvação por Nosso Senhor Jesus Cristo, que morreu por nós a fim de que, vivos ou mortos, fiquemos unidos a ele” (1Ts 5,10).Outros textos são 2Cor 4,14; 13,4; Rm 6,8; 8,32. Estar com o Senhor exprime a firme certeza da comunhão com Cristo logo após a morte! Se o estar com Cristo fosse possível somente na Parusia (= Vinda de Cristo), o melhor para Paulo não seria partir! Partir para ficar dormindo?! Partir somente é bom porque é para estar com Cristo!

Resumindo: aparece claríssimo no Novo Testamento que logo após a morte “partimos para estar com Cristo”. Então, erram aqueles que afirmam que, após a morte, ficamos dormindo até à Ressurreição final! Afirmar que, após a morte ficamos dormindo, é esquecer que Cristo ressuscitou, que com ele, ressuscitamos para a Vida! Erram também gravemente os espíritas, que pensam que, após a morte, ficamos à toa, zanzando num além, até reencarnarmos novamente! Isso seria desconhecer que nem a morte, nem a vida, nem criatura alguma nos poderá separar do amor de Cristo (cf. Rm 8,39).

Para terminar, cito um importante texto do magistério da Igreja, a Constituição Benedictus Deus, do Papa Bento XII, no século XIV, que ensinou claramente e de modo infalível: “Nós, com a força da autoridade apostólica, definimos que, segundo a geral disposição de Deus, as almas de todos os santos que deixaram este mundo antes da paixão de nosso Senhor Jesus Cristo, e aquelas dos santos apóstolos, dos mártires, dos confessores, das virgens e dos outros fiéis que morreram após receber o santo Batismo de Cristo, e nos quais não há mais nada para purificar quando morreram, e não haverá também no futuro, quando morrerem, ou caso tenham algo para purificar, uma vez purificado, já que foram purificados após a sua morte (...) imediatamente após a morte e a purificação - se disto tinham necessidade -, mesmo antes de reassumirem os seus corpos e do juízo universal, após a Ascensão do nosso Senhor Jesus Cristo ao céu, estavam, estão e estarão no céu, no reino dos céus e no celeste paraíso, com Cristo...”

A doutrina da Igreja é clara: aqueles que já estão purificados de seus pecados, imediatamente após a morte, mesmo antes do juízo final, estarão no paraíso, que é estar com Cristo. E isto por quê? Porque Jesus já ressuscitou e já subiu ao céu. Na sua Ascensão, já nos abriu o coração do Pai! Repito: quem nega que logo após a morte vamos estar com Cristo, está desconhecendo que Cristo ressuscitou, está ainda no Antigo Testamento!
E o juízo final? Na Vinda do Senhor nossos corpos ressuscitarão e tudo quanto fizemos de bom ou de mal, nossos atos e omissões aparecerão, com suas conseqüências para toda a humanidade!

Sou Bispo Auxiliar de Arquidiocese de Aracaju - SE

PRIMEIRO RETRATO DA IGREJA DE CRISTO

quinta-feira, 19 de abril de 2012 Diego Tales

As Sagradas Escrituras mostram claramente a Igreja, comparando-a a um barco na qual Jesus Cristo está sempre presente, mesmo que às vezes pareça estar adormecido. Esta concepção está presente em Mt 8, 23-27, que diz claramente que Jesus está pronto para ajudar-nos em qualquer situação. O barco atravessa o oceano, e enfrenta calmarias e tempestades, sempre amparado pelo próprio Jesus, seguindo seu rumo e não sabendo quando chegará ao porto.

A Igreja foi edificada sobre o firmamento dos apóstolos, e eles (e mais ninguém) foram enviados para desalienar a humanidade (Mt 10), recebendo toda a autoridade de Jesus Cristo. Dirigida por seus legítimos sucessores através do sacramento da Ordem, a Igreja vem rompendo os séculos, passando por muitas turbulências, porém sempre amparada pelo próprio Jesus.

A Igreja se manifestou publicamente pela primeira vez no dia de Pentecostes, quando tomados pelo Espírito Santo, os apóstolos puseram-se a pregar as multidões. Se observarmos a passagem bíblica, veremos que no dia de Pentecostes os discípulos estavam reunidos, com Maria a Mãe de Jesus e mais alguns homens e mulheres, quando inesperadamente veio um vento forte dos céus e o Espírito Santo repousou sobre todos.
E é a partir daí, impulsionados pelo paráclito prometido por Jesus Cristo que os discípulos se põem a pregar, que a Igreja se manifesta perante as pessoas.

Pedro foi o primeiro a levantar e a pregar (At 2, 14) levando muitos a conversão e ao batismo. A partir de então a Igreja passa a atuar publicamente pelas mãos dos apóstolos, estes que foram impulsionados pelo poder do Espírito Santo, que é um com o Pai e o Filho.
A partir de At. 2, 42, pode-se observar o primeiro retrato de comunidade, onde as pessoas viviam em prol de um bem comum, na partilha e oração, sempre sob a orientação dos apóstolos. Muitos milagres e prodígios eram realizados pelas mãos dos apóstolos, pelo nome de Jesus (At 3, 6-8; 9, 40-42).

Eles eram inspirados e realizavam grandes pregações que levavam cada vez mais pessoas a aderirem a féem Jesus Cristo, e mesmo diante de grandes dificuldades não desistiam jamais de pregar a Boa nova de Jesus. Com o aumento de fiéis, os discípulos escolheram sete homens (At 6, 3) para cuidar exclusivamente da pregação da palavra, enquanto os outros cuidavam dos outros afazeres.

Surgiam dentre os fiéis, grandes discípulos que pregavam a palavra e realizavam numerosos prodígios, como Estevão, que cheio de graça e poder, fazia grandes prodígios e sinais entre o povo (At 6, 8).
Por ser um grande pregador despertou a ira de muitos poderosos da época, que acabaram por apedrejá-lo publicamente, mas ainda assim Estevão não perdeu a fé e clamou a Deus que perdoasse seus algozes (At 7, 60).
O manto de Estevão foi deixado aos pés de um jovem chamado Saulo…

Doutrina Católica

Pentecostes: é tempo de começar a preparação!

sexta-feira, 23 de março de 2012 Diego Tales

No dia 27 de maio deste ano, acontece a celebração litúrgica de Pentecostes. Nesse dia, lembramos a primeira grande efusão do Espírito Santo sobre a Igreja, que impeliu os apóstolos à missão.
Instituída pelo papa Leão XIII, a Novena de Pentecostes é a única litúrgico-oficial da Igreja Católica. Caso seu Grupo de Oração deseje realizar a novena semanalmente, o ideal é iniciar na próxima semana. Dessa forma, ela será finalizada exatamente nos dias que antecedem a festa.
Abaixo, confira o texto de motivação escrito pela segunda secretária do Conselho Nacional da RCCBRASIL, Ierecê Gilberto:
Amados, tal qual os apóstolos no Cenáculo desejavam ardentemente uma vida nova e o cumprimento da Promessa do Pai, também cada um de nós hoje deve ter o mesmo desejo. O Espírito Santo derramado em Pentecostes sobre os apóstolos reunidos unânimes em oração é exatamente o mesmo que se derrama hoje sobre nós e que Deus Pai deseja enviar abundantemente sobre o mundo todo em nossos dias, gerando assim homens novos e mulheres novas que voltem a viver a Cultura de Pentecostes.
Que tal colocarmos em prática este ano, que é único em nossas vidas - pois não podemos voltar aos anos passados e tão pouco vivermos os que ainda não vieram - a Novena de Pentecostes em nosso Grupo de Oração? Temos Grupos de Oração todos os dias da semana no Brasil; podemos ter pessoas clamando pelo Espírito Santo diariamente, desejando que Ele venha sobre a face da Terra renovar todas as coisas.
Já que nossos Grupos de Oração se reúnem apenas uma vez por semana, a fim de que todos possam participar da Novena, sugerimos que façamos, em nível de GO, nove semanas consecutivas e não nove dias seguidos. Assim, todos os GO do Brasil estariam realizando a Novena de Pentecostes, unanimemente no Brasil. Para isto, devemos iniciar já no dia 25 de março para os GO que se reúnem aos domingos, seguindo até o dia 27 de maio, domingo de Pentecostes.
Podemos fazer também a novena em 9 dias seguidos, iniciando no domingo (ou na quinta-feira) da Ascensão de Jesus e seguindo até a Festa de Pentecostes. Nesse caso podemos realizar em família, nos ambientes de trabalho, nas escolas, nas universidades, nas paróquias, em grupos de reflexão, nos hospitais, nos presídios, nos asilos e até mesmo sozinhos. O fundamental é que passemos estes nove dias que antecedem a festa de Pentecostes em unânime e perseverante meditação e clamor ao Santificador das Almas para renovar a face da Terra.
Permitamos que o Espírito Santo gere em nós e a partir de nós um mundo novo, que vem do coração de Deus!

Ierecê Gilberto
Com certeza grandes graças esperam para serem derramadas sobre aqueles que orarem pela renovação do Pentecostes.

Conheça São João da Cruz, o "doutor espiritual"

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011 Diego Tales


Conheçamos mais um dos baluartes da gloriosa Ordem Carmelita Descalça: seu fundador, São João da Cruz. Ele nasceu em 1542, talvez no dia 24 de junho, em Fontiveros, província de Ávila, na Espanha. Seus pais se chamavam Gonzalo de Yepes e Catalina Alvarez. Gonzalo pertencia a uma família de posses da cidade de Toledo. Por ter-se casado com uma jovem de classe “inferior” foi deserdado por seus pais e tornou-se tecelão de seda. Em 1548, a família muda-se para Arévalo.

Em 1551 transfere-se para Medina del Campo, onde o futuro reformador do Carmelo estuda numa escola destinada a crianças pobres. Por suas aptidões, torna-se empregado do diretor do Hospital de Medina del Campo. Entre 1559 a 1563 estuda Humanidades com os Jesuítas. Ingressou na Ordem dos Carmelitas aos vinte e um anos de idade, em 1563, quando recebe o nome de Frei João de São Matias, em Medina del Campo. Pensa em tornar-se irmão leigo, mas seus superiores não o permitiram. Entre 1564 e 1568 faz sua profissão religiosa e estuda em Salamanca. Tendo concluído com êxito seus estudos teológicos, em 1567 ordena-se sacerdote e celebra sua Primeira Missa.
Infelizmente, ficou muito desiludido pelo relaxamento da vida monástica em que viviam os conventos carmelitas. Decepcionado, tenta passar para a Ordem dos Cartuxos, ordem muito austera, na qual poderia viver a severidade de vida religiosa à que se sentia chamado. Em setembro de 1567 encontra-se com Santa Teresa, que lhe fala sobre o projeto de estender a Reforma da Ordem Carmelita também aos padres. O jovem de apenas vinte e cinco anos de idade aceitou o desafio.

Trocou o nome para João da Cruz. No dia 28 de novembro de 1568, juntamente com Frei Antônio de Jesús Heredia, inicia a Reforma. O desejo de voltar à mística religiosidade do deserto custou ao santo fundador maus tratos físicos e difamações. Em 1577 foi preso por oito meses no cárcere de Toledo. Nessas trevas exteriores acendeu-se-lhe a chama de sua poesia espiritual. "Padecer e depois morrer" era o lema do autor da "Noite Escura da alma", da "Subida do monte Carmelo", do "Cântico Espiritual" e da "Chama de amor viva".
A doutrina de João da Cruz é plenamente fiel à antiga tradição: o objetivo do homem na terra é alcançar “Perfeição da Caridade e elevar-se à dignidade de filho de Deus pelo amor”; a contemplação não é um fim em si mesma, mas deve conduzir ao amor e à união com Deus pelo amor e, por último, deve levar à experiência dessa união à qual tudo se ordena”. “Não há trabalho melhor nem mais necessário que o amor”, disse o Santo. “Fomos feitos para o amor”. “O único instrumento do qual Deus se serve é o amor”. “Assim como o Pai e o Filho estão unidos pelo amor, assim o amor é o laço da união da alma com Deus”.
O amor leva às alturas da contemplação, mas como o amor é produto da fé, que é a única ponte que pode salvar o abismo que separa a nossa inteligência do infinito de Deus, a fé ardente e vívida é o princípio da experiência mística. João da Cruz costuma pedir a Deus três coisas: que não deixasse passar um só dia de sua vida sem enviar-lhe sofrimentos, que não o deixasse morrer ocupando o cargo de superior e que lhe permitisse morrer humilhado e desprezado.
Faleceu no convento de Ubeda, aos quarenta e nove anos, à meia-noite do dia 14 de dezembro de 1591, após três meses de sofrimentos atrozes. Seu corpo foi trasladado para Segovia em maio de 1593. A primeira edição de suas obras deu-se em Alcalá, em 1618. No dia 25 de janeiro de 1675 foi beatificado por Clemente X. Foi canonizado em 27 de dezembro de 1726 e declarado Doutor da Igreja em 1926 por Pio XI . Em 1952 foi proclamado "Patrono dos Poetas Espanhóis".
Talvez a mais bela e completa descrição física e espiritual do Santo Fundador tenha sido feita por Frei Eliseu dos Mártires que com ele conviveu em Baeza: "Homem de estatura mediana, de rosto sério e venerável. Um pouco moreno e de boa fisionomia. Seu trato era muito agradável e sua conversa bastante espiritual era muito proveitosa para os que o ouviam. Todos os que o procuravam saíam espiritualizados e atraídos à virtude.

Foi amigo do recolhimento e falava pouco. Quando repreendia como superior, que o foi muitas vezes, agia com doce severidade, exortando com amor paternal.." Santa Teresa de Jesus o considerava "uma das almas mais puras que Deus tem em sua Igreja. Nosso Senhor lhe infundiu grandes riquezas da sabedoria celestial. Mesmo pequeno ele é grande aos olhos de Deus. Não há frade que não fale bem dele, porque tem sido sua vida uma grande penitência".

Poucos homens falaram dos sublimes mistérios de Deus na alma e da alma em Deus como São João da Cruz. Santa Teresinha conheceu João da Cruz quando ainda vivia nos Buissonnets. Ela, em seus escritos, refere-se ao Santo Fundador cento e seis vezes, direta ou indiretamente, e confessa a forte influência que dele recebeu: "Ah, que luzes hauri nas obras de Nosso Pai São João da Cruz !... Com a idade de 17 a 18 anos, não tinha outro alimento espiritual... " (MA 83r).

Nascido em uma família pobre, trabalhou em diversas funções, entre elas a de artesão e ajudante num hospital. Nesse tempo ajudava aos pobres e freqüentava a escola dos jesuítas. Aos 21 anos ingressou na ordem dos Carmelitas em Medina e estava decepcionado com a rotina monástica descuidada.

Pensou em reformar a ordem. Foi quando conheceu Santa Teresa D Ávila que tinha igual visão. Ela estava em Medina para fundar um novo convento e procurava alguém da ala masculina de sua ordem que tivesse os mesmos anseios. E João aceitou o desafio e com apenas 25 anos de idade fundou o primeiro convento dos Carmelitas Descalços, em Durvelo, que depois expandiu-se para outras cidades.

Atendendo a um chamado de Teresa, João foi trabalhar com ela, em Ávila. Diante da recusa às autoridades de Medina que exigiam sua volta, foi preso durante nove meses, ocasião em que escreveu seus poemas místicos. Ao conquistar ao liberdade, fundou novos mosteiros. Com a colaboração de Santa Teresa D´Ávila, foi reformador da ordem Carmelitana, pessoas dedicadas realmente à pobreza e à oração. A ação de reformista custou-lhe intensas perseguições dentro da própria ordem.

Conhecido como "doutor espiritual é, com Santa Teresa, o máximo representante da escola mística espanhola e sua obra "Chama de Amor Viva", "Subida ao Monte Carmelo"- "Cântico Espiritual" constituem algumas das expressões mias eternas do pensamento místico universal. Até hoje é reeditada. Considerado como o maior poeta em língua castelhana e um dos quatro ou cinco gênios da poesia lírica. Com seu jeito reto de agir, rendia-lhe muitos adversários, que desejam expulsá-lo da Ordem. Após sua morte, João obteve a graça de ser reconhecido por seus opositores que reconheceram sua santidade.

Oração
Deus, nosso Pai, São João da Cruz viveu os mistérios da vossa morte e ressurreição. Ele fez a experiência do vosso amor e por vós foi provado na fé e no sofrimento. Mediante o trabalho interior, conseguiu descobrir os tesouros da vossa graça. A seu exemplo, fazei que cada um de nós progrida na vida espiritual e caminhe para vós.
 
Encontremos na vossa Palavra estímulo e consolação e, na comunhão com nossos irmãos, vos encontremos na partilha de todos os dons recebidos. Senhor, enviai-nos o vosso Espírito, o Espírito Santo que é "doador da vida", que é a água viva que jorra da fonte, Espírito de Amor e de liberdade, Espírito que nos concede a liberdade de filhos de Deus e irmãos em Jesus Cristo.
 
Espírito que nos convoca e nos reúne numa mesma família, povo de Deus a caminho do vosso Reino. São João da Cruz nos inspire o gosto pelas coisas do alto, e nos ensine a vos amar com todas as nossas forças e de todo o nosso coração. 
Fonte: Comunidade Shalom 

O sentido liturgico do Dia de Finados

quarta-feira, 2 de novembro de 2011 Diego Tales



Enxugará as lágrimas de seus olhos e a morte já não existirá. Não haverá mais luto, nem pranto, nem dor, porque tudo isso já passou· (Ap 21,4).
Por que então a liturgia cristã interessou-se pelos mortos também fora da missa? Por que a Igreja dedicou um dia exclusivo à lembrança dos finados? Você acha válido rezar pelos falecidos? Como você se prepara para viver o momento de sua morte? Por que o ser humano preocupa-se tanto em marcar com sinais exteriores a morte de pessoas queridas?

1. História da Celebração
O Cristianismo nasceu embebido pela vida, morte e ressurreição de Jesus, o Cristo Senhor. O ápice da vida do filho de Deus foi sentir em sua carne a frieza da morte. Sem dúvida, ao doar amorosamente sua vida na cruz, Jesus viveu em sua própria carne a experiência da morte. Ele morreu realmente. Mas a Graça de Deus, confirmando a mensagem e o testemunho de vida de Jesus, o ressuscitou dos mortos e garantiu assim, a todos os fiéis que nele depositam suas esperanças, a possibilidade de transcender também a fase finita da vida e alcançar a plenitude da personalidade e potencialidades humanas, na realidade de fé que chamamos de Vida Eterna.
Desde muito cedo o Cristianismo celebrou os fiéis que morreram unidos à  sua comunidade de fé. Os mártires eram venerados nos locais de seu martírio e as primeiras construções genuinamente cristãs foram monumentos em homenagem a estes heróis da fé. Além disso, as perseguições imperiais obrigavam os cristãos a refugiarem em catacumbas para celebração dos exercícios litúrgicos. E as catacumbas nada mais eram que os primeiros cemitérios cristãos.
Os mais antigos sacramentários romanos atestam o uso de missas pelos defuntos. O costume de rezar pelos mortos em celebrações específicas parece ter surgido pelo fato de que não era possível realizar exéquias dos cristãos no momento da morte, tamanho o medo da perseguição pagã. Assim, dias depois do fato, geralmente uma semana ou mesmo trinta dias, a comunidade reunia-se para as devidas homenagens ao falecido e aos familiares.
Nos mosteiros irlandeses, no século VII, já encontramos rolos com os nomes de monges falecidos, que circulavam entre as comunidades, numa rústica forma de comunicação orante entre os religiosos. Para estes falecidos era sempre dedicado algum ofício religioso solene. Dessa tradição surgiram as necrologias, lista de nomes lidas nos ofícios e os obtuários, lembrando serviços fundados ou obras de misericórdia dos defuntos em suas datas. Passou-se claramente das menções globais aos nomes individuais.
Nos séculos IX e X, no auge do período carolíngio, já é possível encontrar o costume de anotar nomes de falecidos para oferecimento de missas, mas ainda mantém-se a vinculação com o nome de vivos, que faziam suas ofertas generosas para a comunidade cristã. Os ‘libri memoriales’ (Livros Memoriais) carolingianos continham de 15.000 a 40.000 nomes a serem lembrados. Durante as Eucaristias chegava-se a enumerar de 40 a 50 nomes por dia!
Mas foi em Cluny, o renomado Mosteiro francês, que começou a surgir uma explicação da oração pelos mortos. À Igreja Peregrina nos caminhos da história unia-se a Igreja Triunfante (os santos e santas) e à igreja Padecente (aqueles que mesmo mortos ainda não tinham alcançado a plenitude da Ressurreição). Esta união entre santos e pecadores, chamada de comunhão dos santos, já fazia parte da tradição cristã e foi teologicamente elaborada pelo mestre da escolástica, Santo Tomás de Aquino,  nos seguintes termos:
Assim como no corpo natural a atividade de um membro se subordina ao bem estar de todo o corpo, também no corpo espiritual que é a Igreja, acontece o mesmo. E porque todos os fiéis são um só corpo, o bem de um comunica-se ao outro.
Tudo indica que foi no século X que, a partir do mosteiro do Cluny, instituiu-se a comemoração dos mortos para o dia 2 de novembro, em íntimo contato com a festa de todos os santos. A Festa dos Mortos será rapidamente celebrada em todo mundo cristão. Trata-se hoje de um dos feriados mais universais do nosso planeta.
2. Sentido da celebração de Finados
No dia de Finados, não festejamos a morte. Seria uma ignorância e uma contradição. Celebramos sim, nossa fé na ressurreição e a esperança do encontro na morada que Jesus nos preparou, no seio amoroso de Deus. A comemoração dos fiéis defuntos é uma oportunidade ímpar para agradecer a Deus pela existência daqueles que nos precederam e, de certa forma, participaram da construção de nossa própria história.
O gesto mais comum em Finados é a visita ao cemitério, a participação na Eucaristia e as devoções próprias de cada cultura, como acender velas, oferecer flores e enfeitar os túmulos dos falecidos. Em todos estes gestos antropologicamente enraizados no ser humano transparece a consciência que temos de nossa finitude e da necessidade absoluta de apego ao Divino para a manutenção da esperança em glorificação da existência.
Acendemos velas para lembrar que essa luz segue iluminando-nos, em nossos corações. Veneramos seus exemplos e imitamos sua fé (Hb 13,7). Enfeitamos as sepulturas com flores, símbolo da ressurreição. Nossos mortos são plantados como sementes, regadas com nossas lágrimas, e florescem ressuscitados no jardim do Senhor.
Além disso, ao recordar a vida de um ente querido, nós próprios deparamo-nos com a realidade da morte em nossa vida e pesamos nossos comportamentos pessoais e sociais. A presença da limitação e fraqueza da vida permite-nos ser mais humildes na consideração da validade de nossa vida. Não há como ficar insensível diante da finitude da carne humana!3. Sentido Teológico de Finados: a certeza da Ressurreição
Nossa fé cristã é a fé no Ressuscitado. Esta certeza de fé elimina de nós toda e qualquer idéia de renascimento ou reencarnação. Somos únicos desde a concepção, durante a vida e após a morte. A razão de nossa fé na Ressurreição é a experiência radical de Jesus. Ele foi Ressuscitado pelo Pai (At 2, 22s), numa atitude amorosa que confirmou toda a obra realizada pelo homem de Nazaré em favor dos mais oprimidos e marginalizados.
O fundamento teológico para a nossa compreensão de fé em torno da vida que começa na morte está na Ressurreição de Jesus Cristo. É São Paulo que diz: ‘Se Cristo não tivesse ressuscitado, vã seria a nossa fé, e nós ainda estaríamos em nossos pecados’ (1Cor 15, 17).
Nós cremos na ressurreição como um momento de transcedência de nossa realidade finita para uma realidade infinita ao lado de Deus. Na Ressurreição nossa vida é transformada. Assim como acontece com a semente que, ao ser lançada na terra, morre e desta morte nasce a nova vida, cremos que também nós vamos ressuscitar e assumir uma nova vida. Nós cremos que a nossa vida terrestre é uma preparação para a verdadeira e definitiva vida. Temos uma única oportunidade de viver no mundo e nos preparar para a eternidade.
O próprio Jesus viveu apenas uma única vida humana, iniciada no momento de sua concepção no seio virginal de Maria e consumada na cruz, quando exausto e sem forças, Jesus entrega sua vida nas mãos do Pai (Jo 19,30). Mas, como já dissemos, Deus não permitiu ao Cristo permanecer preso nas cadeias da morte, mas o fez receber vida nova, ressuscitando-o e reafirmando assim o valor da vida justa sobre os poderes nefastos de uma sociedade marcada pela cultura de morte.
Mas, Ele ressuscitou. O corpo físico de Jesus foi transformado em um corpo glorioso, que não ocupa mais espaço, não envelhece mais com o tempo e não morre mais. Este Cristo vivo e ressuscitado está na Eucaristia, está nos sacrários de nossas igrejas e está também na comunidade cristã, já que Ele disse: ‘Onde dois ou mais estiverem reunidos em meu nome, eu estarei presente’ (Mt 18,20) ou então: ‘Eis que eu estou convosco todos os dias até a consumação dos séculos’ (Mt 28, 20). Nada pode nos separar do amor de Cristo.
Já a teologia de oração pelos mortos alicerça-se na noção tradicional de purgatório, momento de expiação dos erros passados e de contemplação da face gloriosa de Deus. A teologia atual não aboliu, com se pensa, a noção de purgatório. Obviamente, a idéia de um fogo devorador que aflige atemporalmente os homens e mulheres que falecem afastados de Deus recebe hoje um tratamento mais aceitável. O purgatório seria a própria percepção de não realização da missão confiada por Deus a cada um de nós. Ao deparar-nos com a imensa distância entre o ideal sonhado por Deus e o real vivido, o ser humano sofre por ter sido tão leniente. Imediatamente, entretanto, contempla a glória de Deus e nela mergulha. Rezar pelos mortos significa ajudá-los a tomar consciência de que estão afastados do ideal de Deus.4. Celebrando o dia de Finados
As celebrações litúrgicas do dia de hoje são comedidas e cercadas de um clima de saudade e tristeza. São comuns as missas rezadas nos cemitérios, onde um ou outro grupo pastoral pode estar presente para acolher as pessoas mais sensibilizadas.
Nas igrejas e capelas reze-se pelos fiéis defuntos que participaram da história da comunidade, mas evite-se enumerar nomes ou dar destaques a algum falecido. Mantenha a sobriedade dos cantos e respeite-se o silêncio com marca da celebração.
Entretanto, evite-se o clima de luto nas celebrações. Vale a pena recordar que a celebração de Finados marca a esperança cristã na Ressurreição e deve ser iluminada por aquela alegria que marca a fé cristã.
Para os celebrantes, atenção nas homilias. O Mistério da Ressurreição deve ser o centro da reflexão, aproveitando para refletir bem as palavras do Evangelho e esclarecendo o real sentido da morte para o cristão, numa catequese que contemple toda a eliminação de idéias estranhas tão espalhadas pela mentalidade do povo católico brasileiro.

Pe. Adenildo Godoy BarbosaComissão para Liturgia e Música Sacra da Arquidiocese de Curitiba

Solenidade de todos os Santos

terça-feira, 1 de novembro de 2011 Diego Tales

Hoje, a Igreja não celebra a santidade de um cristão que se encontra no Céu, mas sim, de todos. Isto, para mostrar concretamente, a vocação universal de todos para a felicidade eterna.

"Todos os fiéis cristãos, de qualquer estado ou ordem, são chamados à plenitude da vida cristã e à perfeição da caridade. Todos são chamados à santidade: 'Deveis ser perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito' "(Mt 5,48) (CIC 2013).

Sendo assim, nós passamos a compreender o início do sermão do Abade São Bernardo: "Para que louvar os santos, para que glorificá-los? Para que, enfim, esta solenidade? Que lhes importam as honras terrenas? A eles que, segundo a promessa do Filho, o Pai celeste glorifica? Os santos não precisam de nossas homenagens. Não há dúvida alguma, se veneramos os santos, o interesse é nosso, não deles".

Sabemos que desde os primeiros séculos os cristãos praticam o culto dos santos, a começar pelos mártires, por isto hoje vivemos esta Tradição, na qual nossa Mãe Igreja convida-nos a contemplarmos os nossos "heróis" da fé, esperança e caridade. Na verdade é um convite a olharmos para o Alto, pois neste mundo escurecido pelo pecado, brilham no Céu com a luz do triunfo e esperança daqueles que viveram e morreram em Cristo, por Cristo e com Cristo, formando uma "constelação", já que São João viu: "Era uma imensa multidão, que ninguém podia contar, de todas as nações, tribos, povos e línguas" (Ap 7,9).

Todos estes combatentes de Deus, merecem nossa imitação, pois foram adolescentes, jovens, homens casados, mães de família, operários, empregados, patrões, sacerdotes, pobres mendigos, profissionais, militares ou religiosos que se tornaram um sinal do que o Espírito Santo pode fazer num ser humano que se decide a viver o Evangelho que atua na Igreja e na sociedade. Portanto, a vida destes acabaram virando proposta para nós, uma vez que passaram fome, apelos carnais, perseguições, alegrias, situações de pecado, profundos arrependimentos, sede, doenças, sofrimentos por calúnia, ódio, falta de amor e injustiças; tudo isto, e mais o que constituem o cotidiano dos seguidores de Cristo que enfrentam os embates da vida sem perderem o entusiasmo pela Pátria definitiva, pois "não sois mais estrangeiros, nem migrantes; sois concidadãos dos santos, sois da Família de Deus" (Ef 2,19).

Neste dia a Mãe Igreja faz este apelo a todos nós, seus filhos: "O apelo à plenitude da vida cristã e à perfeição da caridade se dirige a todos os fiéis cristãos." "A perfeição cristã só tem um limite: ser ilimitada" (CIC 2028).

Todos os santos de Deus, rogai por nós! 

Fonte: Canção Nova

A Confissão dos pecados

quinta-feira, 28 de julho de 2011 Diego Tales

Todos os nossos pecados – passados, presentes e futuros – são perdoados de uma vez por todas quando nos tornamos cristãos? Não, de acordo com a Bíblia ou com os primeiros Padres da Igreja. A Escritura não afirma em nenhum lugar que os nossos pecados futuros são perdoados. Ao contrário, Ela nos ensina a orar: "E perdoai-nos as nossas dívidas, como nós também temos perdoado aos nossos devedores." (Mt 6:12).
O meio pelo qual Deus perdoa pecados depois do batismo é a confissão: "Se reconhecemos os nossos pecados, (Deus aí está) fiel e justo para nos perdoar os pecados e para nos purificar de toda iniquidade." (1Jo 1:9). Pecados menores ou veniais podem ser confessados diretamente a Deus, mas para pecados graves ou mortais, que esmagam a vida espiritual da alma, Deus instituiu um meio diferente para obter perdão: o sacramento conhecido popularmente como confissão, penitência ou reconciliação.
Este sacramento está enraizado na missão que Deus deu a Cristo como o Filho do Homem na terra para ir e perdoar pecados (cf. Mt 9:6). Assim, a multidão que testemunhou esse novo poder "glorificou a Deus por ter dado tal poder aos homens." (Mt 9:8; observe o plural "homens"). Depois da Sua ressurreição, Jesus transmitiu Sua missão de perdoar pecados aos seus ministros, dizendo-lhes "Como o Pai me enviou, assim também eu vos envio a vós... Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos." (Jo 20:21–23).
Visto que não é possível confessar todas as nossas muitas faltas diárias, sabemos que a reconciliação sacramental é necessária apenas para pecados graves ou mortais – mas é necessária, senão Cristo não teria ordenado isso.
Ao longo do tempo, mudaram as formas que o sacramento foi administrado. Na Igreja primitiva, pecados publicamente conhecidos (como apostasia) foram muitas vezes confessados abertamente na igreja, embora a confissão privada com um sacerdote fosse sempre uma opção para os pecados cometidos particularmente. Ainda assim, a confissão não era apenas algo feito em silêncio a Deus por si só, mas algo feito "na igreja", como o Didaqué (70 d.C.) indica.
As penitências também tendiam a ser executadas antes e não após a absolvição, e elas eram muito mais rigorosas que as de hoje (penitência de dez anos para o aborto, por exemplo, era comum na Igreja primitiva).
Mas o básico do sacramento sempre esteve lá, conforme revelam as citações seguintes. De especial significado é seu reconhecimento de que a confissão e a absolvição devam ser recebidas por um pecador antes de receber a Sagrada Comunhão, porque "todo aquele que... come o pão ou bebe o cálice do Senhor de forma indigna será culpado por profanar o corpo e o sangue do Senhor. "(1Cor 11:27).
A Didaqué
"Confessa teus pecados na igreja e não eleves tua oração com uma consciência má. Este é o modo de vida... No Dia do Senhor reuni-vos juntos, parti o pão e dai graças, depois de confessares tuas transgressões para que teu sacrifício possa ser puro." (Didaqué 4:14, 14:1 [70 d.C.]).
A Carta de Barnabé
"Vós deveis julgar retamente. Vós não deveis fazer um cisma, mas deveis pacificar aqueles que lutam por trazer-vos reunidos. Vós deveis confessar vossos pecados. Vós não deveis ir à oração com uma consciência má. Este é o caminho da luz." (Carta de Barnabé 19 [74 d.C]).

Veritatis

Palavras não traduzem - Como explicar nossos dogmas?

quinta-feira, 14 de julho de 2011 Diego Tales



Como explicar nossos dogmas em palavras de fácil compreensão, se o próprio dogma não é?
1-Como explicar que cremos que só existe um Deus, mas ele é três pessoas divinas, Pai Santo, Filho Santo e Espírito Santo?
2-Como explicar que o Filho Santo que existia desde toda a eternidade sendo um só Deus com o Pai Santo e o Espírito Santo um dia se criou no ventre de uma virgem?
3- Como explicar que esta virgem Maria não criou Deus porque Deus é criador e não criatura, é criador e não criado?
4-Como explicar que o Filho Santo criou a si mesmo no ventre dela e ela, que era criada, ao dizer o seu sim, nem por isso se tornou criadora do Deus que a criara? Como explicar Jesus? Como explicar Maria e os santos?
5- Como explicar que gerar é mais o que criar, por isso o Filho é eternamente gerado, mas não é criado?
6-Como explicar que Maria recebeu o Filho Santo no ventre e que concebê-lo não foi um ato criador porque o Filho eterno já existia? No ato carnal homem e mulher, atendendo ao desejo e à vocação de procriar, geram uma vida, vinda do conteúdo de ambos. Maria não gerou Jesus por ato carnal. Assumiu e aceitou quem se gerava nela!
7- Como explicar esta fé a um descrente e, mais do que descrente, a um cético? E como explicar a outro cristão que entende como adoração a Maria o que é apenas um tributo de veneração especial à serva? Como provar a eles que não vemos Maria como deusa?
8-Como explicar a um católico confuso que chama corretamente Maria como mãe de Deus, mas prega que Maria “criou” Deus aqui na terra, que a palavra “criou” não traduz o que Maria realmente fez?
9-Como explicar a ele que “cuidadora” de Deus não é “criadora” de Deus?
10- Como explicar que Maria não é eterna a um piedoso fiel que a chama de “eterna mãe de Deus”? Com provar a ele que, como todos nós, ela já estava na eterna mente criadora de Deus como projeto, mas ela ainda não existia e que só Deus é eterno? Ter sido eternamente escolhida pelo Deus que transcende ao tempo não é o mesmo que existir desde toda a eternidade. Deus sempre existiu. Maria começou a existir. Jesus era o Filho de Deus que aceitou viver no tempo e, um dia, começou a existir aqui, mas só aqui, porque já existia como Filho em Deus desde todo o sempre.
12-Como explicar que o Filho Santo é o próprio Deus que também é Pai Santo e Espírito Santo e que quando falamos do Filho de Deus encarnado estamos falando do próprio e único Deus?
13- Como explicar que mesmo sendo um só e único Deus, o Filho não é o Pai, nem este é o Filho e nem o Espírito Santo é o Pai? Como orientar um cristão a não chamar Jesus de Pai e a não dizer, orando, que Nossa Senhora criou Deus neste mundo?
14-Como pedir ao irmão que no seu entusiasmo proclama Maria filha do Pai, mãe do Filho e esposa do Espírito Santo que explique o que acabou de dizer, já que Deus não tem filha unigênita, nem é marido e não tem esposa? O que tais palavras significam?
15-Como explicar a outras religiões que Deus esteve aqui por alguns anos, nasceu de mulher, viveu sua infância e adolescência no seio de uma família, mas era Deus que encarnado e humanado, agia no tempo?
16- Como explicar que Deus tem poder de se tornar humano por algum tempo, embora o humano não tenha o poder de se tornar Deus nem por um segundo?
E como se pode ser claro sobre estes temas? Nossas palavras são pobres. Não traduzem o que cremos e, se não tomarmos cuidado com os verbos e os vocábulos, deturpam a fé.
Por isso, prestemos atenção ao nosso catecismo. Se prestarmos, jamais diremos que Nossa Senhora é “medianeira de todas as graças” e, sim, medianeira “de” graças. Deus não nos dá todas as graças por meio de Maria, mas Maria ora conosco por toda e qualquer graça que pedirmos que ela peça conosco.
Não temos que orar a Maria antes de orar o Pai Nosso. Podemos pedir a ela e aos outros santos que orem conosco, mas, segundo Jesus, podemos e devemos falar diretamente com o Pai e com Ele, ou usar o nome dele. (Mt 18,19). A Bíblia fala de intercessores humanos, que oram pelos outros, mas diz também que o único intercessor com poder é Jesus. Mas, ele nos dá o direito de falar ao Pai em seu nome sem nem sequer falar direto com ele (Jo 16,23-26) Podemos ir diretamente ao Pai. Por isso ele manda no Pai Nosso orar ao Pai e chamá-lo de Pai Nosso. (Mt 6,9)
Os santos são intercessores convidados, mas não intercessores obrigatórios. Ninguém deve desprezar a cumplicidade da prece dos salvos em Jesus, mas ninguém tem que primeiro falar com eles e só depois falar com Deus. Também não se deve diminuir o valor da prece de alguém que já está no céu.
E quem nega que haja pessoas no céu não deve ter lido os trechos que mostram o Deus rico em misericórdia (Ef 2,4) e Jesus que tem todo o poder no céu e na terra, (Mt 28,18) anunciando que viria buscar e levar com ele quem morreu na sua graça. ( Jo 14,3) Uma coisa é a ressurreição do último dia da humanidade e outra a ressurreição de cada um que morre agora. Virei e vos levarei para mim mesmo, disse ele! As parábolas de Jesus dão a entender, principalmente a do mendigo Lázaro (Lc 16,22 ), que existe um encontro pessoal do indivíduo com Deus e que não temos que esperar até o fim dos tempos para entrar no céu.
Como explicar tudo isso a quem não tem nem mesmo um catecismo, ou tem, mas ainda não o leu? O problema número um da nossa igreja continua sendo o estudo da fé. Aceitamos testemunhar nossa fé, mas raramente aceitamos estudá-la e aprofundar nossos conhecimentos. Preferimos o rosário entre os dedos ao livro sobre a mão. Preferimos dedilhar as contas do rosário a folhear as páginas da Bíblia e do Catecismo Católico. Um dia, isso mudará, mas somente quando todos tiverem entendido que Jesus é para ser amado e estudado! Foi o que Paulo e Tiago disseram:
Mas vós não aprendestes assim a Cristo, (Efésios 4 : 20)
O que também aprendestes, e recebestes, e ouvistes, e vistes em mim, isso fazei; e o Deus de paz será convosco. (Filipenses 4 : 9)
E rogo-vos, irmãos, que noteis os que promovem dissensões e escândalos contra a doutrina que aprendestes; desviai-vos deles. (Romanos 16 : 17)
E que desde a tua meninice sabes as sagradas Escrituras, que podem fazer-te sábio para a salvação, pela fé que há em Cristo Jesus. (II Timóteo 3 : 15)
Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina. Persevera nestas coisas; porque, fazendo isto, te salvarás, tanto a ti mesmo como aos que te ouvem. (I Timóteo 4 : 16)
Aquele, porém, que atenta bem para a lei perfeita da liberdade, e nisso persevera, não sendo ouvinte esquecidiço, mas fazedor da obra, este tal será bem-aventurado no seu feito. (Tiago 1 : 25)
Questione o pregador sem estudo, na próxima vez que alguém pregar que está expulsando o demônio da árvore genealógica de sua família; que você pode comungar Maria; que ela tem o mesmo DNA que Jesus; que o sangue de Cristo no cálice é o mesmo derramado na cruz; que Maria só mereceu ser mãe de Cristo porque era virgem pura porque Jesus não nasceria de mãe que tivesse tido outros filhos; ou que Maria deixou de ser virgem depois de conceber Jesus; ou que Deus fará milagres no domingo à tarde às 15 h; ou que foi demônio que apagou a luz no estádio onde todos oravam e que Jesus a acendeu; ou quando ouvir um pregador sequioso por milagres expulsar do Brasil o demônio da dengue com seus mosquitos; ou, ainda, quando ouvir alguém desfilando mais de 40 doenças que estão sendo curadas naquele momento pela televisão.
Não engula tudo como se fosse doutrina católica. Pode ser doutrina de um grupo, mas não da Igreja como um todo. Mais Bíblia e mais Catecismo com mais teologia podem mudar muita coisa na nossa Igreja. Já sabemos que a falta deles levou muita gente para fora de nós e nos deu muitos pregadores que não sabem do que estão falando.
O assunto é provocador e os primeiros a corrigir seus conhecimentos e suas palavras devem ser os sacerdotes. E eu me incluo. Se alguém achar erro no que preguei ou prego provoque-me e prove que eu errei. De bom grado pedirei desculpas e me corrigirei. Espero o mesmo daquele padre que ensinou que devemos invocar Maria e os santos após a comunhão porque somos incapazes de receber Jesus e falar com ele sozinhos. Trocou o “podemos” pelo “devemos”. A Igreja não nos obriga a invocar os santos toda vez que falarmos com Jesus. Naquele caso, o padre impôs ao povo sua devoção pessoal. Mas ele não foi ordenado para pregar o que sente e, sim, o que a Igreja ensina! Nem ele, nem eu, nem você!
Cuidemos com as palavras sobre Deus. Como diz o Padre Antonio Vieira no sermão da sexagésima, "há pregadores que pregam palavras de Deus, mas não a Palavra de Deus!"

por
Padre Zezinho