A força do deserto

domingo, 11 de março de 2012 Diego Tales

Na correria da vida, fonte de stress dos tempos modernos, é fundamental tirar momentos para outras experiências. Muitos vão para as chácaras, para sítios e lugares onde possam ter mais contato com a beleza e as riquezas contidas na natureza.

No tempo de Jesus, ir para o deserto era ficar na margem da sociedade, experimentar as condições dos leprosos que não podiam ter contato com os “puros” e com quem não tinha essa doença contagiante. Constituía um verdadeiro “tabu” para o povo.
Indo para o deserto, Cristo supera o preconceito e vai ao encontro dos leprosos, que eram intocáveis. Jesus acaba ocupando o lugar desses doentes, agindo com autoridade e compaixão. Conforme a Lei, Ele não podia tocar no leproso, mas não levou em conta isto.
A intenção de Jesus era a reintegração dos marginalizados numa atitude totalmente além da compaixão, de neutralização dos mecanismos que geram a exclusão. Ele age com verdadeira solidariedade, tendo como base o amor ao próximo.
Essa prática não tinha em vista sucesso pessoal, mas o bem das pessoas, contra as atitudes de exclusão casadas pela cultura do tempo. Era Deus, em Jesus Cristo, visitando seu povo, superando as forças do mal, vistas como obra de espírito mau.
No deserto Jesus cura um leproso. Toca nele e diz: “sê purificado”. Ele dá um sinal do Reino, da vida e da qualidade de vida. O curado não esconde sua felicidade, fazendo Jesus assumir seu lugar no deserto para ficar distante do assédio do povo.

A prática de compaixão de Jesus faz crescer a oposição das autoridades religiosas, porque Ele mostra que fazer o bem é mais importante do que seguir as exigências da Lei dos judeus. Enquanto a Lei marginaliza os “impuros”, Jesus os integra na convivência social.
Vivemos sob a lei do mercado, da competição e da exclusão. Perdemos a mística da fraternidade e partilha. Só a força do deserto, da espiritualidade será capaz de fragilizar essa lei. O mundo saudável é conforme o sonho de Deus, que deve ser conquistado por nós.

Dom Paulo Mendes Peixoto
Diocese de São José do Rio Preto/SP

Os desejos do nosso coração

domingo, 4 de março de 2012 JESUS C. 'FONTE DE ÁGUA VIVA'

“Põe tuas delícias no Senhor, e os desejos do teu coração ele atenderá.”Sl 36,4
Muitas vezes, quando lemos esse versículo do salmo, pensamos que ao colocarmos no Senhor a nossa alegria e gratidão, Ele vai atender nossos desejos e realizar nossos sonhos e, muitas vezes, Ele faz isso mesmo. Mas, o que esse versículo expressa é muito mais do que apenas isso. Não se trata aqui de nos alegrarmos no Senhor e depois fazer tudo o que queremos, é muito mais bonito e mais profundo do que isso. Se nós colocarmos nossas delícias no Senhor, se fizermos Dele a alegria da nossa vida, então Ele mudará o nosso coração para que os nossos desejos se tornem os Dele. Em outras palavras, Ele colocará seus desejos em nosso coração. Nós precisamos disso na nossa vida, pois os nossos desejos, às vezes, são vãos, são gerados pelo pecado em nós ou são limitados e pequenos.
Os desejos do Senhor para a nossa vida são perfeitos, porque fazem parte do seu plano de amor para nós. Eles são infinitamente superiores e mais bonitos do que tudo o que podemos imaginar, como nos diz a passagem em Isaías 55, 8-9: Pois meus pensamentos não são os vossos, e vosso modo de agir não é o meu, diz o Senhor; mas tanto quanto o céu domina a terra, tanto é superior à vossa a minha conduta e meus pensamentos ultrapassam os vossos.
Li, certa vez, um testemunho bonito de David Mangan sobre esse versículo bíblico. Ele é um dos que estavam em Duquesne naquele fim de semana do início da Renovação Carismática e até hoje ele continua cheio do Espírito, frequentando Grupo de Oração, pregando a Palavra de Deus e dando bom testemunho. David disse que esse versículo significa muito para sua vida pois enquanto ele se deliciava com o Senhor, buscando fazer sua vontade,  se apaixonou por aquela que hoje é sua esposa. Então, conforme sua compreensão, o desejo, o amor que começou a sentir por ela foi colocado no seu coração pelo Senhor. Por isso, ele mandou gravar esse versículo nas suas alianças, para nunca se esquecer de quem sua esposa é para ele: desejo de Deus colocado no seu coração.
Que possa ser assim também conosco. Coloquemos todo o nosso amor, o nosso louvor, a nossa confiança no Senhor, passando todos os dias um tempo em oração com Ele, deliciando-nos na sua presença e deixemos que Ele vá colocando os seus desejos no nosso coração e teremos assim a nossa vida grandemente abençoada.

Maria Beatriz Spier Vargas
Secretária-geral do Conselho Nacional da RCCBRASIL

Compromissados com a vida

JESUS C. 'FONTE DE ÁGUA VIVA'

O compromisso com a vida é uma das bandeiras levantadas pela Igreja Católica e abraçada com ardor pelo nosso Movimento. Neste tempo em que somos chamados pelos Bispos do Brasil a refletirmos sobre a saúde pública no nosso país, o Portal RCCBRASIL traz um artigo da Revista Renovação nº 72 que fala sobre este assunto: compromissados com a vida!

A coleta de um milhão de assinaturas pela vida, contra a legalização do aborto no Brasil, foi concluída para ser encaminhada ao Congresso Nacional, mostrando a vontade popular em prol da vida desde a sua concepção no ventre materno.
Os carismáticos empenharam-se, em cada canto do País, coletando assinaturas nos Grupos de Oração, nos Encontros de Oração e Formação, nos Seminários de Vida no Espírito Santo, nos Congressos Diocesanos, Estaduais e Nacionais da Renovação Carismática Católica. Trabalho de formiguinhas, que exigiu de cada colaborador muita perseverança e entusiasmo, não se curvando perante as dificuldades e questionamentos surgidos.
Foi a primeira manifestação popular coordenada pelo Movimento. Percebemos que não foi fácil a sua conclusão, mas verificamos, em nosso povo, a capacidade de mobilização tanto pela vida, como por outros direitos da sociedade brasileira que estão ameaçados. Por isso, precisamos efetivar este trabalho levando ao conhecimento dos deputados federais e senadores a vontade da coletividade, para que não sejam impostas ao povo ideologias partidárias, leis iníquas ou interesses de corporações, em um país com dimensão continental, em que muitos eleitores têm educação alicerçada em princípios cristãos.
Em um país democrático, a vontade do povo deve prevalecer
A luta deve prosseguir, pois a vida continua sendo ameaçada. Leis querem restringir a sociedade de suas obrigações por um meio ambiente sustentável e equilibrado para as gerações presentes e futuras. Algumas minorias fazem muito barulho para se regulamentar iniquidades, impondo à sociedade brasileira antivalores que destroem a família. Os idosos são desvalorizados; abandonando-os em asilos se despreza toda a experiência adquirida por eles. Os portadores de deficiências não têm seus direitos respeitados pela sociedade, tendo em vista que as leis não são implementadas e a maioria dos cidadãos age como se fossem ilesos a situações idênticas por acidentes ou enfermidades. A política deixa de investir no bem comum, defendendo interesses corporativos em detrimento da vida no planeta.
A vida é ameaçada cotidianamente com leis de trânsito não cumpridas pelos cidadãos, com o patrimônio público dilacerado pela corrupção, com orçamentos exíguos em prol da saúde e da educação da população brasileira, com profissionais da saúde impossibilitados de trabalhar dignamente por falta de condições mínimas, o que gera mortes prematuras de pessoas em filas nos hospitais aguardando atendimento. A maioria da população não tem acesso à escola pública de qualidade, sendo privada de ingressar na universidade, vivendo do subemprego, sem direitos garantidos, tornando-se massa de manobra dos poderosos, sem voz e sem vez.
Portanto, apenas iniciamos nosso povo na ação democrática, ensaiando-o para novas manifestações populares, visando demonstrar ao Poder Público que este está a serviço do povo naquilo que ele precisa e não no que os dirigentes imaginam necessitar. Com a manifestação do povo, o Governo tem maior capacidade de servi-lo, aplicando verbas públicas no que realmente é interesse da coletividade. Porém, é bom frisar que nossas manifestações públicas devem ser sempre pacíficas e permeadas pelo amor a Deus e ao próximo, sem afrontas e agressões, para que realmente tenhamos coerência entre a fé que professamos e a fé vivenciada em nossas atitudes do dia-a-dia.
Encontremos em nossa espiritualidade pentecostal – Cultura de Pentecostes - o equilíbrio entre o intimismo e o ativismo para que tenhamos os subsídios necessários para o exercício de uma cidadania pacífica e consciente dos direitos e deveres garantidos pela Constituição Brasileira.
Marizete Martins Nunes do Nascimento

Presidente da Associação Servos de Deus em Goiânia-GO
Membro do Ministério de Promoção Humana da RCCBRASIL

Campanha da Fraternidade: um convite ao pastoreio

JESUS C. 'FONTE DE ÁGUA VIVA'

Nesta quaresma, somos convidados a vivenciar o tema do ano da RCC “Apascenta as minhas ovelhas” de forma bem concreta. Aproveitando as motivações da Campanha da Fraternidade, que tem como tema Fraternidade e Saúde Pública, e da mensagem quaresmal do papa Bento XVI, que incentiva o cuidado entre as pessoas, nosso Movimento sugere de sejam desenvolvidas ações de pastoreio junto aos doentes.
 
Como você pode participar?
Convide os servos do seu Grupo de Oração para, juntos, pastorearem os irmãos que padecem de enfermidades, visitando-os nos hospitais, lares, asilos e casas de recuperação, evangelizando e levando o amor de Deus.

Orientações
O coordenador nacional do Ministério de Oração por Cura e Libertação, Onazir Conceição, dá alguma orientações importantes para o desenvolvimento dessa atividade. “Ao chegar ao local a ser visitado, deve-se observar as normas vigentes. Devido à fragilidade da pessoa enferma, a visita deve ser breve e na ocasião pode ser feito leitura da Palavra de Deus e orações. A referida visita não se caracteriza como sendo necessariamente um momento de ‘cura e libertação’, mas um acolhimento com amor”, esclarece ele.

Que os milhares de Grupos de Oração do Brasil possam ser sinal do acolhimento e do amor do Bom Pastor também para aqueles que estão enfermos.

Antes de apascentarmos os irmãos, nós precisamos ter intimidade com o Senhor

domingo, 5 de fevereiro de 2012 Diego Tales

Baseado no trecho do livro dos Atos dos Apóstolos que narra a conversão do apóstolo Paulo e o papel de Ananias nesse processo, o coordenador nacional do Ministério de Intercessão, Luis César Martins conduziu o primeiro ensinamento da tarde de sexta-feira (27), no Encontro Nacional de Formação que acontece até domingo (29), em Lorena/SP.
O pregador motivou os participantes a serem como Ananias, que se mantinha firme nas orações e que, só porque tinha uma relação íntima com Deus pôde ajudar Paulo. “Antes de apascentarmos os irmãos, nós precisamos ter intimidade com o Senhor. Não dá para orar  de qualquer jeito e tem que ser todos os dias”, disse Luis César, destacando a importância da oração na vida do servo.
O coordenador frisou que é necessário que cada um olhe para dentro de si e reflita sinceramente sobre como está sua vida espiritual. De acordo com ele, só estando muito perto de Deus será possível realizar todos os projetos com plenitude e salvar almas para o Senhor. “Será que estamos ocupados demais para escutar o Senhor? O mundo precisa de você e você tem um mandato espiritual”, exortou.
E uma vida plena de oração só é possível através das práticas espirituais. Luiz César lembrou a importância de ter um planejamento de vida pessoal que contemple práticas como o jejum, a Eucaristia e a adoração.
Exatamente para incentivar essa rotina de vida íntima espiritual, foi apresentado pelo Ministério de Intercessão e discernido pelo Conselho Nacional um projeto de Mobilização Nacional de Oração, que já está em andamento desde o início do ano. Durante sua fala, Luis César explicou o projeto. Trata-se de um plano onde a cada dia da semana um estado é responsável pela oração.

Apascenta as minhas ovelhas

sábado, 4 de fevereiro de 2012 Diego Tales

A primeira pregação do Encontro Nacional de Formação foi conduzida pelo presidente do Conselho Nacional da RCCBRASIL, Marcos Volcan, na manhã desta quinta-feira (26). Com o tema “Apascenta as minhas ovelhas”, ele desenvolveu a moção que conduzirá os trabalhos do Movimento em 2012. O momento também tinha como objetivo fazer uma introdução ao encontro que se inicia.

Volcan iniciou sua pregação falando que, antes de sermos pastores, é importante que lembremos que somos todos ovelhas. Para ilustrar o assunto, foi apresentado um vídeo da Parábola da Ovelha Perdida (assista abaixo). Ele pediu, após a exibição, que todos nós lembrássemos de quando fomos resgatados: “Quando isso aconteceu a você? Quando você foi salvo pelo Pastor, quando estava no limite de tudo?”, perguntou.

Seguindo a ideia do vídeo, ele passou a analisar a conduta da ovelha que se separou do rebanho. Segundo ele, por uma distração, ela deixa para trás tudo aquilo que vivia na pastagem, feliz, para explorar novos campos. Mas aquela distração a leva para a escuridão. “Mas quando ela estava no limite, o pastor escuta o seu grito!”, explica o presidente. Ele prosseguiu: “Deus nos resgatou do abismo. Todos nós vivemos porque fomos resgatados”.

Logo em seguida, Marcos chamou atenção para o fato de o Senhor ter reunido os carismáticos neste grande encontro para que sejamos ovelhas. “Carecemos dos cuidados de Deus”, disse. Para ele, está é a razão para o crescimento do Encontro que agora acontece, pois os direcionamentos dados durante a sua programação são como cuidados de Deus para nós, nos dando força e coragem. E, para isso, continuou ele, nos reunimos na forma desta grande família carismática. “É bom estarmos juntos”, comemorou Volcan.

O ENF é uma boa chance, segundo o presidente do Conselho, para projetar um ano de 2012 de muitas graças e bênçãos. “Ao contrário dos profetas da desgraça, estamos reunidos aqui para fazer de 2012 o ano da Renovação Carismática Católica”, afirmou.

Para projetar o novo ano, Marcos apresentou um vídeo contendo os fatos mais marcantes de 2011, como os Congressos Estaduais, as atividades missionárias e as conquistas do Movimento. Após a exibição, ele lembrou a todos: “Há ainda muito que ser feito”.

Ao finalizar a sua reflexão sobre o tema do ano, Marcos Volcan lembrou o texto de inspiração – Jo 21,17 -, quando Jesus pede a confirmação do amor de Pedro para entregar-lhe sua tarefa. Por isso, a Sua insistência: “Pedro precisava que Jesus confirmasse sua nova missão”. Para Marcos, este é o motivo de estarmos reunidos no ENF: “Precisamos disso para ter nossa missão confirmada”.

A pregação foi terminada com uma oração de entrega conduzida por Marcos.
Assista ao vídeo da parábola da Ovelha Perdida:

Apascenta as minhas ovelhas!

Diego Tales

Lucimar Maziero
Coordenadora Nacional do Ministério de Formação
/Grupo de Oração Javé Chammá
Em 2011, motivada pela moção de “lançar as redes”, a Renovação Carismática Católica buscou viver de forma ainda mais intensa o chamado missionário, envolvendo os Grupos de Oração e expressões carismáticas. Tal temática trouxe-nos um impulso renovado que nos levou a irmos em busca dos filhos de Deus, levando a Boa Notícia: Jesus Cristo está vivo, Ele é o Senhor, nos ama, salva e ainda hoje  realiza milagres e prodígios! Esse anúncio de salvação tem feito com que milhares de pessoas, espalhadas pelo nosso país, experimentem o amor incondicional de Deus.
Nesse sentido é importante destacar o papel dos Congressos Estaduais que motivaram a RCC do Brasil inteiro a caminhar guiada sob esse direcionamento. Vivemos uma grande convocação de norte a sul; de leste a oeste. Milhares de pessoas sendo chamadas a lançar as redes. Anunciar.Nas reuniões às sextas-feiras (antes de os eventos terem início), nossos líderes foram convocados a reafirmar o compromisso com a missão que o Senhor deu à RCC de evangelizar a partir do Batismo no Espírito Santo.
Esses encontros com os coordenadores diocesanos e seus respectivos núcleos foram marcados por momentos de oração, vivência fraterna, formações e  partilha das Moções Proféticas para este tempo. Isso possibilitou uma atualização dos direcionamentos do Senhor e reforçou a unidade do Movimento, levando os participantes a avaliarem a visão organizacional e profética da RCC.

Todo esse mover de Deus proporcionou o fortalecimento da nossa identidade carismática, ampliou nossa visão. Podemos dizer que os encontros estaduais nos levaram a enxergarmos mais os sinais do Espírito na história do Movimento e, com isso, entendermos melhor quem somos e qual é o chamado de Deus para nós.
Ainda dentro desse contexto, os eventos foram momentos de “consertarmos as redes” (cf Lc 5,2), como nos fala o texto bíblico que impulsionou nossos trabalhos durante este ano. Coordenadores foram convidados a refletir sobre sua liderança e todos os carismáticos foram incentivados a terem uma postura perseverante, lançando as redes da evangelização, do serviço, da doação sempre que for necessário.
Podemos dizer, diante de tudo isso, que em 2011 nos tornamos mais fortes, mais unidos,  mais missionários.
O  operar de Deus tem promovido uma reconstrução em nosso meio.  Um povo novo está se levantando. E, dessa forma, estamos percebendo que Deus está nos concedendo a graça de enchermos a nossa barca de peixes. Ou seja, chegarmos ao coração de mais e mais irmãos que ainda não conheciam Jesus e que, a partir das nossas atividades missionárias, fizeram uma experiência do Amor de Deus.

Hora de pastorear

Sim, meu irmão, minha irmã, já é possível ver os frutos da caminhada deste ano. Com a graça de Deus, muitas pessoas foram tocadas durante as missões desenvolvidas pelo nosso Movimento e têm procurado os Grupos de Oração, retomado os sacramentos e a vivência nas paróquias.
Tudo isso já é maravilhoso, mas certamente o Senhor tem muito mais para realizar em suas vidas. Diante dessa realidade, estamos entrando em uma nova fase na evangelização: a de refletir sobre como estamos tratando o rebanho do Senhor. Isso mesmo!  Somos chamados a viver o mandato “Apascenta as minhas ovelhas” (Jo 21,15) e é por isso que esse será o tema que direcionará os trabalhos da RCC em 2012. Será um ano para cuidarmos das pessoas que estão assumindo seus postos, voltando para as pastagens do Senhor.
Quando falamos em apascentar, zelar, cuidar, estamos nos referindo ao pastoreio. O exemplo mais comum que nos vem à memória é o do pastor que cuida das ovelhas, assim como conhecemos pelo salmo 22, 1-3: “O Senhor é meu pastor e nada me faltará. Em verdes prados ele me faz repousar. Conduz-me junto às águas refrescantes, restaura as forças de minha alma. Pelos caminhos retos ele me leva, por amor do seu nome”.
Refletindo sobre essa passagem, podemos perceber que pastorear o povo de Deus é cuidar para que ele chegue até as boas pastagens. Nós, que estamos envolvidos com trabalhos de liderança, somos impulsionados pelo Espírito Santo a tomar a responsabilidade de apascentar e vigiar as pessoas do nosso Grupo de Oração e do nosso ministério. Dessa forma, levar o povo às boas pastagens é dar alimento a ele. Significa que precisamos cuidar do que estamos oferecendo aos nossos irmãos. Qual a qualidade da formação e da oração que estamos ofertando? Eles estão sendo acolhidos em um ambiente de amor fraterno e diálogo? Perguntas como essas devem ser feitas periodicamente para que a nossa evangelização seja autêntica.
Pastorear também significa proteger as ovelhas dos falsos pastores, dos lobos que chegam disfarçados com o intuito de roubar a vida do rebanho. Roubar vida, no sentido de usurpar a vida nova, a vida no Espírito. 
Uma trajetória de amor
Vivemos um tempo de portas abertas no nosso Movimento. Penso que se pararmos um pouco para pensar, podemos observar as graças do Senhor no nosso meio: temos trabalhado para que nossas vidas sejam coordenadas pelo Senhor Jesus, para sermos um povo unido pela Palavra de Deus, que anuncia a Boa Notícia e semeia a Cultura de Pentecostes. Mas para que isso se consolide em todo nosso território nacional, os que exercem posição de pastores precisam trilhar a “trajetória do amor”.
À medida que novos irmãos vão entrando em nossos Grupos é muito importante que busquemos conhecê-los. Precisamos construir uma atmosfera de acolhimento, respeito e amor fraterno na qual as pessoas se sintam à vontade para abrirem-se umas às outras. Como nos ensina a Palavra, o pastor precisa conhecer as ovelhas do seu redil para cuidar delas. Já as ovelhas, precisam reconhecer a voz do pastor para poder segui-la.
Nessa dinâmica, são os líderes que iniciam a busca, pois os que estão perdidos não conseguem se encontrar. Para tanto, a metodologia de trabalho deve contemplar organização e amor-doação. Com um planejamento, aqueles que são pastores traçam orientações para a sua ação, definem o que deve ser feito e aonde se quer chegar.  Entretanto, só estratégia não é suficiente. Para evangelizar e pastorear é preciso agir com amor. Somente assim é possível atingir os mais diferentes tipos de públicos e conhecer as peculiaridades de cada ovelha.
Depois de toda busca é necessário saber para onde conduzimos esse rebanho. E o primeiro papel do pastor é alimentá-lo com aquilo que é necessário para o seu crescimento espiritual e humano. Assim, a oração e a formação irão fortalecer as ovelhas e devem provocar nelas o desejo pela santidade.

O exemplo de Pedro

A atitude dos pastores é de extrema importância no mandato “apascenta minhas ovelhas”. O exemplo de Pedro nos ajuda no exercício do pastoreio. Os pastores devem orar pelas necessidades de seu rebanho e dar a eles aquilo que recebem do mestre. Foi o que Pedro fez. A Bíblia nos narra que ao encontrar um coxo na porta do templo, Pedro exclamou: “ouro e prata não tenho, mas o que tenho te dou, em nome de Jesus levanta-te e anda.” (cf. Atos 3,6).
Acima de todas as coisas, o que recebemos de Deus é o amor. Por isso, cuidar, zelar e apascentar exige amor. E dentro do nosso cotidiano, precisamos buscar formas simples de demonstrá-lo para quem está a nossa volta.
Pequenos atos como telefonar para aqueles membros do Grupo de Oração que estão faltando às reuniões, visitar a casa de quem tem algum familiar doente, dar atenção a todos sem distinção, organizar momentos de convivências fraternas entre os membros do Grupo são de extrema importância. Esses pequenos gestos podem nos garantir grandes resultados.
Essa é uma primeira reflexão a respeito desta temática. Durante todo o ano de 2012, iremos falar mais sobre isso, partilhar experiências, e também refletir sobre o papel de cada um que viveu a experiência do Batismo no Espírito Santo tem nesse mandato; Afinal todos nós somos chamados a amar, a cuidar, a zelar, proteger alguém. Somos responsáveis uns pelos outros. Ninguém esta isento dessa missão.
É importante que nos autoavaliemos e a partir daí busquemos meios de melhorar o serviço que prestamos ao nosso Senhor por meio de suas amadas ovelhas.